26 junho 2006

A Queda

Lá em baixo diviso a copa das árvores
É o início da queda
O mar verde refletido na retina
Negra é a sombra que envolve a alma

Há séculos que eu caio
Caio um pouco a cada dia
Vi o mundo nascer e morrer
Vi a história se repetir infinitas vezes

Anos sem conta se passarão

antes que a fria mão do destino
toque meu ser

Sou aquilo que existe
Decair é minha essência

Vi o primeiro homem surgir
E das contrdições de sua história
Vi civilizações surgirem
Vi povos sofrerem

Vi o ultimo homem desaparecer
e com ele se foi minha alegria
Sua dor era minha dor
Á noite ainda ouço seu pesar

Vi seres que rasjejavam
meras imitações do que haviam sido
Vi a lama e o caos
dominarem tudo que existia

Quando eu pensei
Que a queda finalmente cessaria
Que meu corpo inerte
Finalmente tocaria o chão

O vento mudou de direção
O sol de repente brilhou
E vi a esperança
A queda já não mais importava

Parecia que enfim
Minha inútil existência
Encontraria seu fim

Mas foi apenas o prenúncio
de mais tempo de queda

Ainda caio

E no vácuo
(que tudo cerca)
Espero o dia
Em que a queda cessará

E enfim o meu nome
Possa novamente
Ser pronunciado.

28 maio 2006

Cegueira

Você vê ?
Você ouve ?
Você sente ?
O que ?
Eles não deixam! Você não sabe?
Eles te obstruem .
Você se bloqueia.
Você desiste.
Você é guiado ,
apenas segue.
Eles ascendem.
Eles venceram.
Você viu?
Ouviu?
Sentiu?
È ...eles venceram.
Sua vida lhes pertence

Você ...declina
Eles ouvem, vêem, sentem o mundo.
Você não quer, dá trabalho, você se ilude,
È levado...
...ao quarto escuro.
Lá se encontra.
Cego, surdo, só!!!
Quer sair?
É tarde
Acabou!
Eles venceram
Seus olhos...
...só vêem...
....o que a Vênus de prata permite
e você a segue...
segue... segue ...

Resgatando as Origens

E nossa viagem segue rumo ao mais fundo canto do baú. Se "Nova Pandora" já cheirava a mofo e fazia vocês espirrar, procure sua máscara cirúrgica no fundo do bolso, por favor luvas para não danificar o papel antigo e contenham o riso. "Cegueira" segue o mesmo tema da anterior. Porém é mais rústica, direta e singela. (e curta). Pode-se dizer que foi o primeiro rascunho da anterior. Se "Nova..." já era pueril e viajava, essa é ainda pior. Mas, não. O tema não era uma obsessão. Mas apenas mais fácil de expor na ocasião. Mais visível. Mais palpável naquela época. (é de 2001)

Não se preocupem, a série Túnel do Tempo termina aqui. No próximo post vem coisa nova... atual. Aguardem.

Obrigado pela paciência... Seguindo...

14 abril 2006

Nova Pandora

A caixa de Pandora foi aberta
Liberta de seus grilhões
A esperança escorre por nossos dedos
Nada mais nos resta
Fim de festa
Sanidade produto raro
Liberdade custa muito caro

Rei deposto, rei posto
Outra caixa toma seu lugar
Emite uma luz ofuscante
Irisdecente, Delirante
Deusas e monstros, fé e desespero
Despeja sobre nós as paixões humanas
Em movimento derradeiro

Toda dor e desesperança
Toda mentira, toda ganância
Os poderosos sobre ela mantem
Severa vigilância

Falso poder, custamos a crer
O que ela nos disser
Pagamos pra ver, temos fé

Pagamos caro
Seu preço é alto
De sobressalto descobrimos
Que se do cômico rimos
Do trágico ainda sorrimos

A distância nos conforta
O que ela nos mostra
Está além de nossa porta
E se o problema até nos chega
Ela nos dá a solução

Acuse, use , abuse
Insulte seu inimigo, ame seu inimigo
Controle, mate, ame, faça
O que?
Não importa
Não pense
Compre

Não sofra
Veja
Não ria
Venda
Venda-se

Qual é a sua marca?
Quem fez você ?
Qual o seu selo?
Quem pintou o seu cabelo?

Do alto do seu desespero
Um alento
Beba coca cola
Fume um derby
Dirija um corsa
Você não é o que é
Mas o que tem

Tenha o mundo em suas mãos
As mulheres aos seus pés
Nós o temos em nossas mãos
E você beija nossos pés

Exigimos atenção
Exigimos audiência
Exigimos paciência

Em troca lhe damos tudo
Damos o mundo
O que é o mundo?
É a sua casa, seu trabalho
Sua família
Tudo lhe damos quase nada exigimos

Apenas sua alma
Sua mente
Sua vontade
Seus desejos
Suas paixões
Suas crenças e
Emoções

Nos chamamos Marinhos, Macedos, Santos
E deuses
Somos seus deuses
Somos seu deus
Somos tudo o que você tem
Somos tudo o que lhe convêm

Sem nós não há futuro
Não há passado
Não há presente
Somos seu presente

Sugerimos seus presentes
Sugerimos sua felicidade
E se de nós tu foges
Seremos então seus algozes

E quando só e humilhado
Fora do mundo
Fora da realidade
Da nossa realidade
Você estiver
Então verá

Que sem nós você não existe
É apenas um oco
Uma casca, um invólucro
Vazio
Sem no que acreditar
Sem o que amar

Agora não adianta se humilhar
Seu filho começa a chorar
Fome? Pra que matar
A novela já vai começar.

Do fundo do baú...

Da série "coisas esquecidas que você encontra quando arruma a bagunça do quarto", limpando as pastas do meu pc encontrei "Nova Pandora", que estava no local errado, e portanto não lembrava mais de sua existência. O arquivo parece que foi criado em 2002, mas pelas rimas pobres e as referências superficiais desconfio que o original é muito mais antigo... (é incrivel como a gente pode ter uma visão tão simplista das coisas no 2°grau...). Apesar de ainda achar a televisão um artefato perigoso nas mãos erradas (ligue a sua tv aberta à tarde e vai entender....) ela não ocupa mais o espaço central na minha visão de 'grandes males do mundo contemporâneo' (aposto que cada um tem sua lista particular deles...) Mas, na adolescência as coisas sempre parecem maiores do que realmente são...

Então desculpem-me o cheiro de mofo, respirem fundo e até a próxima.

28 março 2006

A Cada Passo

A Cada passo mais longe
A Cada dia mais distante
Cada segundo mais longo

As horas são lentas

O Sol negro segue seu rumo,
Em eclipse eterno.
A escuridão toma conta
O Mundo quase pára de girar

A Flor púrpura desabrocha,
Em lágrimas de sangue e fel,
O estupor de uma vida vazia
Sem sentido

O nonsense macabro do destino
Jogo dos deuses
Peças em tabuleiros
Movimentos errados,
E uma vida é destruída.

O lamento dos anjos não chega a nossos ouvidos
O clamor das crianças é inaudível
Os guerreiros de doze anos
Continuam a matar crianças inimigas

O céu duro de mármore
Não destoa do aço
Que reveste o coração dos homens
O deus Lucro está feliz
Enquanto a morte faz sua funesta colheita

Quatro cavaleiros
Milhares de apocalipses
A cada dia um mundo desmorona
Um holocausto por semana

Os ativistas estão na rua
Com suas bandeiras brancas (pedindo paz)
Suas camisas vermelhas (pedindo justiça)
Seus corações (tolos) sangrando.

Á noite
Quando a porta do apartamento se fecha
O sono é embalado pelos tiros de fuzil
O grito dos despossuidos é abafado
O espectro de terror domina a noite

Por que um mundo desse
Teima em existir?
O que o prende
Nessa inútil ciranda de dor e sofrimento?

Muitas vezes me fiz essa pergunta
Muitas vezes não encontrei resposta
Algumas vezes quis gritar:
“Parem o mundo que eu quero descer”

Com o coração pequeno,
Vagava perdido
Universo louco
Existência insana

Viver não é opção
É sina
Uma cruz a carregar
Doze trabalhos a cumprir
Deus ri de nós

O humor do onipotente é cruel
“Deus está morto” – diziam
“Ou nos abandonou” – pensava
O tédio segue intacto.

Amores podem ser como o vento
Brisas suaves e passageiras
Ou tornados destrutivos
Cada um á seu tempo
Cada peça no seu lugar

Então chegou nosso tempo
Tempo de viver a divina experiência
De encontrar luz em meio á escuridão
De achar calmaria no olho do furacão

Entre a tempestade te encontrei
E os dias de sol se seguiram
Algumas nuvens atrapalharam – é verdade
Mas te encontrar foi sublime

Ser a razão da existência
Fonte de felicidade
Não é uma missão fácil
Mas você sabe cumpri-la
E em meio ao terror do mundo

Posso dizer: Te amo.

Oba, engatando a primeira e indo em frente..

Para quem fazia um post a cada semestre, nada mal estarmos chegando a marca de 1 post a cada 10 dias. Como ninguém frequenta mesmo esse blog posso postar coisas cada vez mais íntimas. A próxima poesia é da série "estou apaixonado, mas não sou cego". Como poderá ser percebido pertence a uma daquelas boas fases da sua vida em que você finalmente acha que encontrou a garota dos seus sonhos, a mãe de seus filhos... Até descobrir que esses arroubos sentimentalóides não passam de ilusão e que com o tempo tudo acaba. Sei que parece idiota, mas apesar de não admitir, todo mundo já passou por isso um dia. Segue viagem...

18 março 2006

Narciso

Aquele olhar desconhecido,
O semblante triste,
O sorriso que morre,
O olhar perdido reflete a alma,
Desolada esperança.

O peso do sentimento á beira do precipício,
Da morte anunciada,
Toneladas de pesar,
Apenas um passo.

Quem terá coragem de desligar,
Desligar as máquinas,
Calar o coração.
Eutanásia sentimental.
Haverá crime?

A Alma grita,
Se recusa a acreditar,
A pôr fim no que supôs eterno,
A tomar a atitude adiada.
Tenta evitar o que,
Ele sabe,
Sente o fim.

Apenas uma questão de tempo.
Pouco tempo,
Tragédia dos comuns,
Tão comum.

Há uma morte por dia,
Um coração despedaçado por hora,
Juntar os restos
É tão difícil quanto crer.

Crer que, enfim, tudo acabou.
Após o último ato,
O herói se suicida.
Sua ressurreição é certa.
Clara.

Tão claro,
Tão certo,
Ele sabe.

Não será mais o mesmo.
Nada será igual,
Sabe qual será sua sina,
Dará seguimento á roda da dor.
Samsara Blues.

Um dia será sua vez,
De magoar e matar.
Matar as esperanças de outra alma crédula.
As crianças acreditam em Papai Noel,
Os adultos no Amor.

No fundo, todos sabem.
Ele sabe.
O homem se constrói na ilusão.
De seu castelo de areia.

Se Deus é amor,
Porque só há miragens
E dor em sua criação?

O olhar se volta,
Para o semblante derrotado.
Vidro e prata refletem a verdade.
Seu companheiro é o mais sincero dos seres,
O único capaz de o compreender: O Espelho.

De volta á Vida

Depois de quase dois meses de intensa inatividade, finalmente este blog está sendo atualizado. Enfim um nova 'obra-prima' da pretenção humana será levada ao público, para seu deleito e seu sádico humor. Confesso que nos últimos meses não tive muito ânimo de levar esse projeto a frente, mas conhecendo a mim mesmo como eu conheço (afinal, vivo comigo a 23 anos....) sei que toda a apatia é passageira, e que o entusiasmo é intermitente. Para aquelas três ou quatro pessoas que um dia visitaram este blog... Segue mais uma criação no campo da poética. "Narciso" deve ter uns 4 anos, não é muito boa, mas consegue atingir seu objetivo... Expressar um sentimento do autor. Bem, deixarei que avaliem por si mesmos... "Agradecemos por viajar em nossa companhia..."

25 dezembro 2005

Grades

Eu olho pela janela e vejo grades
olho para minh'alma e vejo um deserto
milhas e milhas me separam de mim mesmo
a solidão é a mais constante companheira

Luz e fogo escondem
a escuridão que ninguém vê
sorrisos neon te seduzem
somente almas vazias na chegada

Dor e vazio é o que nós somos
caminhamos lado a lado
sem nunca nos encontrarmos

A roda da história gira incessantemente
repetindo as mesmas promessas não cumpridas
a onda vermelha passou
deixou apenas sonhos mortos
e discursos agonizantes

Utopias de mercado
identidades mil
somos todos um caleidoscópio de ilusões
criando um mundo novo a cada dia

Mundo vazio e sem vida

o lucro do dia
gera uma morte por hora
vida vazia

A busca por um sentido
significa apenas a busca pela morte
não há mais pelo que morrer
muito menos pelo que viver

Já não encontro paz em seus olhos
os olhos de cada pessoa
trazem apenas aflição e angústia
o homem se perdeu
quando Deus morreu

Orações voltadas para um deus surdo
corações e mentes
quem dá mais
esperança?
segurança?
ilusões...

Vida e morte caminham lado a lado
já não se sabe quem é quem
qual a melhor opção?
olho pela janela e vejo grades

Por enquanto ainda há janelas...

Por quê?

Porque criar um blog? Afinal por qual motivo as pessoas criam essa janela para seu próprio ser? No meu caso foi um modo de externar alguns pensamentos, idéias e inspirações. Que foram se acumulando ao longo dos anos, desde que descobri que papel e caneta (ou teclado e monitor) são ótimos modos de catarquizar angústias, medos, solidões e demais sentimentos que aflingem qualquer ser com mais de duas conexões neurais.

Muita coisa que vai ser postada aqui é antiga, portanto haverá uma certa dose de pensamento pueril e infantilidade. Mesmo, o mais recente não é em grande parte elaborações geniais, mas de qualquer forma é uma pequena tentativa de compartilhar as dezenas de idéias, pensamentos e desejos com outras pessoas que se interessem em saber o que passa pela cabeça desses pretenciosos macacos de coluna ereta.

Se você leu e gostou, ótimo. Se não gostou, também está ótimo. Todos podem compartilhar suas opniões livremente. Seja bem vindo e boa viagem!